Final do Imagine Cup – Photo by Ruy Hizatugo
Alguns eventos propõem desafios maiores que qualquer esporte, produzir um evento no Egito então… é complexo, trabalhoso, além de perigoso e exige um pouco de tudo que você aprendeu em sua carreira de produtor.

O Imagine Cup da Microsoft, é uma competição anual patrocinada e hospedada pela Microsoft Corp., que reúne jovens tecnólogos em todo o mundo para ajudar a resolver alguns dos desafios mais difíceis do mundo. 

É considerado como “Olimpíadas de Tecnologia” por jovens tecnólogos e é considerado uma das principais competições e prêmios relacionados ao design de software. 
Fui contratado pelo Bradesco patrocinador da equipe do Brasil nas etapas de Paris-FR, Cairo – EG, e Varsóvia-PL

Na final da etapa de Paris soube que a próxima etapa seria no Cairo, a excitação foi geral, um dos países mais misteriosos do mundo, um sonho de quase todo mundo conhecer as pirâmides e os segredos do Egito.  

Imediatamente ao voltar ao Brasil, entramos com o job na casa: “Imagine Cup Egito”, mas no mundo corporativo as coisas não são exatamente rápidas e desde a volta de Paris até a aprovação da participação no Egito se passaram mais de 8 meses, e estávamos ficando em cima do laço e á partir do recebimento do briefing oficial do cliente agora a bola estava comigo.

Imagine Cup Egito – Photo by Ruy Hizatugo

Iniciamos as pesquisas para abastecer a criação e o planejamento, a Marcella, produtora que morava em Paris e trabalhou conosco no IC Paris estava de volta ao Brasil, morando em Brasília e passamos a dividir as pesquisas.


Existe uma diferença cultural muito grande entre Brasil e Egito, isso é obvio, mais que isso o timming é bem diferente, as respostas a nossas solicitações demoravam semanas para chegar, isso em plena era da internet, a missão ficou facilitada pelo contato que a Janis me passou de uma agencia local.


Mesmo assim tivemos que desbravar várias barreiras, quais? Na sexta feira e sábado quase ninguém trabalha lá e o domingo deles é a nossa segunda, fora isso tem a diferença de fuso horário que são de 5 horas pra frente, ou seja eles começam a trabalhar lá as 10:00 que aqui no Brasil são 5:00 da manhã, coisa de doido, a língua oficial lá é o Árabe Egípcio, e poucos falavam perfeitamente o inglês.

o Job exigia algumas tarefas exclusivas e tinham que ser “fora da caixa”, o cliente não queria nada normal, teríamos que entreter os competidores Brasileiros nas folgas das competições e após muita pesquisa chegamos a um formato interessante:

1º – Jantar exclusivo num restaurante giratório 360°, com vista do Cairo e do Rio Nilo
2º – Visita as Pirâmides e passeio de Camelo e almoço em barco no Nilo
3º – Gift card para tarde de compras de artesanato e passeio no Museu do Cairo
4º – Jantar em barco exclusivo pelo Nilo com show local e danças tipicas
5º – Comemoração no Hard Rock Café

Museu do Cairo – Photo by Ronaldo Maciotti 

Job aprovado, liberamos a criação e a produção da agencia tocando os materiais para aplicação de marca tais como chapéus, cantis para água, mochilas, voucher, banners, camisetas, bandeiras do Brasil e principalmente um guia de curiosidades e coisas que não devemos, ou não podemos fazer num país Árabe.

Visto Egípcio, vacina contra febre amarela e partimos para uma visita técnica de 10 dias para fechar todos os detalhes e desarmar as pegadinhas, por que na produção sempre tem uma, imagine no Egito.

Ao chegar ao aeroporto do Cairo, aquela bagunça para pegar as malas na esteira, ninguém ali falava inglês e vamos nos virando na base da mimica mesmo, quase 22 horas depois de sair do Brasil, pingar na Alemanha encontramos o nosso guia local o sr. Chokri Allan.


O sr. Chokri é Egípcio e trabalhou muitos anos com uma familia Portuguesa e por isso fala o nosso idioma muito bem, pra minha sorte!
Contratação dos Camelos com Frank – Ronaldo e Marcella – Foto Ruy Hizatugo
Várias visitas só desarmando as pegadinhas, escolhendo cardápios, definindo roteiros e sofrendo com burocracias árabes… os Gift Card por exemplo, só poderia comprar se eu morasse lá, os deslocamentos do nosso ônibus (nossa equipe seria de 40 pessoas) só seriam autorizados pela policia turística se houvesse escolta, sim lá eles tem uma policia só pra cuidar de turistas, o passeio de camelo pelo deserto então nem pensar…

Alguns turistas alemães haviam sido sequestrados semanas antes, portanto os passeios ficariam limitados as proximidades das piramides, mesmo assim teríamos que repassar e aprovar todo o roteiro e intensões com a policia turística todos os dias.

Imagine Cup – Passeio a Camelo – Photo by Ruy Hizatugo

Enfim tudo para a nossa segurança, o País não é lá muito calmo e seguro, mas o povo é maravilhoso,  ainda mais nos dias de hoje, ao final das visitas técnicas tudo acertado, tudo resolvido, muita paciência, descobrimos que Árabe adora negociar, tudo é uma imensa negociação até as coisas mais simples, é da cultura deles, tem que ter negociação.
Ah aprendi outra coisa, é de bom tom pagar á vista, e em dinheiro local, mais que negociar eles adoram receber.

O time Brasil chegou ao Cairo, após descanso e início das competições seria nossa vez!

Imagine Cup Egito – Photo by Ronaldo Maciotti
O Brasil havia vencido a Copa das Confederações e o momento era propício para fazermos da camisa da seleção Brasileira o nosso uniforme, fica fácil identificar todos os participantes e já tinha sido um sucesso no ano anterior em París, é incrível como todo o mundo gosta do Brasil.

Estávamos hospedados no Intercontinental CityStars Cairo, um complexo de hotéis e Shopping Centers integrados era também o local das competições, isso facilitava e muito a nossa integração e ainda tinha o fator segurança, no Cairo você tem que passar por detectores de metais na entrada dos hotéis e Shopping Centers, além das revista com cães e espelhos embaixo dos carros, como o complexo era todo interligado economizávamos muito tempo no deslocamento.

Todas as nossas atividades transcorreram sem nenhum problema, fruto de um enorme planejamento e um “step by step” seguido a risca. Nossas únicas intercorrências foram causadas pela água, mesmo avisados que não deveríamos tomar água de procedência duvidosa não estávamos livres do gelo no refrigerante ou mesmo na hora de escovar os dentes as bactérias egípcias são implacáveis, mas nada que te derrube além de uma tarde, nosso posto médico montado para o evento no hotel deu conta de todos que precisaram.

A mais tensa foi quando chegamos para o passeio com camelos, três competidores mais afoitos, pegaram os primeiros camelos que viram pela frente, não eram do nosso amigo Frank que fora previamente contratado, isso gerou certa apreensão pois tive que negociar com os “locais” a liberação dos meninos e após muita conversa em inglês, português, árabe e mímicas, dei cem dólares a eles que os liberaram. Vocês devem estar se perguntando por que eles simplesmente não desceram dos camelos, mas quem já montou um sabe que não é uma tarefa fácil descer de um camelo. 
Passado o susto e tudo bem, eu estava preparado pois ouvi histórias de turistas desavisados que subiram em camelos e foram levados pra longe da vista dos outros, mas confesso que negociar com Árabes naquela situação não é nada confortável.

Imagine Cup Egito – Photo by Ruy Hizatugo
A Equipe Brasil ganhou muitas categorias e eu o meu primeiro Job no Oriente Médio.
 Imagine Cup Egito – Photo by Ruy Hizatugo
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