Fazer cinquenta anos não afetou a minha estrutura emocional tanto quanto a precarização do setor.

Conheço muitos gênios no mercado promocional com mais de 50 anos, mas não tive oportunidade de trabalhar com nenhum da geração millenium ainda, e desta maneira torna-se difícil opinar.

Para ser um bom produtor de eventos alguns anos atrás você teria que ter muitas habilidades ditas diferenciadas.
Invariavelmente teria que saber fazer um pouco de tudo, pois teria que por a mão na massa.

Um bom produtor era aquele cara que tinha a soma de todas as respostas, sim por que ser produtor além de botar o projeto criativo de pé, teria que responder por todos os segundos do evento e por todas as pequenas catástrofes que certamente irão ocorrer, você como produtor tem que ter a resposta para tudo ou “simplesmente” a solução.

Já trabalhei com muitos atendimentos, uns bons outros muito bons, alguns excelentes, mas raros são aqueles que não te veem como a resposta para todos os problemas do Job… ou do cliente.

A minha formação como produtor se deu ao contrário do que acontece hoje em dia, aprendi primeiro no campo, como fazer, construir, usar máquinas e equipamentos, montar e depois aprendi a planejar o evento.

Mas uma coisa eu havia decido desde cedo, eu seria um mentor…

Mentor; substantivo masculino p.ext. pessoa que inspira, estimula, cria ou orienta (ideias, ações, projetos, realizações etc.).”



Não tenho o numero exato de quantas pessoas em começo de carreira encaminhei para o lado luminoso da força, ou quantos produtores “formados” resgatei do lado negro da força, sempre dando a vara e ensinando a pescar e não simplesmente entregando o peixe.

Em meu início na produção, a internet praticamente não existia, mas tínhamos uma lista amarela e as pesquisas de campo que davam resultados extraordinários, produtor dentro da agencia era sinal de problema, ele tinha que estar na rua, pesquisando, criando soluções, descobrindo ou desenvolvendo fornecedores.

Não existia uma legislação específica para a maioria das ações promocionais, fazíamos ações nas areias da praia, de Porto Alegre à Porto Seguro, entrávamos em bares e restaurantes “sampliando” marcas de cigarros por todo o País, carros adesivados circulando sem problemas nas ruas de São Paulo.

Imagine em Campos do Jordão no Festival de Inverno nos anos 90, era um festival de ações promocionais de todos os tipos e produtos, dia e noite durante todo o inverno, e no Verão as ações desciam serra.

A minha escola e a faculdade foram as Paredes de Alpinismo que eu mesmo criava, desenvolvia e produzia e depois veio a By Promotion, aliás, uma escola para muitos profissionais não só de produção, mas também de criação, atendimento planejamento etc., muitos destes gênios que falei começaram por lá, e ainda bem estão por ai.

A cultura da By Promotion era de mão na massa, criávamos e construíamos todos os sonhos dos clientes, e as entregas eram feitas por nós produtores “mão na massa” ou simplesmente do Exercito de Brancaleone, como nosso 

Diretor de Operações o Irineu Rocha gostava de nos chamar, éramos um misto de cenógrafos, construtores, marceneiros, meio arquitetos e metidos a engenheiros.

Tudo sempre deu certo, tudo sempre entregue com alta dose de comprometimento, ações que de tão outstanding, nunca mais foram feitas iguais.

Posso citar algumas como: Projeto Verão Hollywood, Camel Troupe, Lucky Strike Lab, Lucky Drink Box, Projeto Invasão Telefônica, Avião Intelig… entre tantos outros.

O Google hoje nem é maior de idade tem apenas 17 anos de vida, e naqueles anos estava engatinhando, pesquisar onde?  Os Nossos descobrimentos eram sempre na raça, ou tirados de referencias gringas, em revistas e livros importados tipo o Show Case.

A vantagem é que todos sabiam exatamente o que fazer, pois nós mesmos construíamos, e quando isso acontece você tem mais domínio de todo o processo.

O Networking era mais complicado, trocávamos experiência entre produtores de outras agencias nos eventos que fazíamos ou éramos convidados, produtor antenado era o que tinha maior circulação nos eventos, viajava atrás de referencias e conhecimentos, isso exigia dedicação dia e noite, era uma fase boêmia.

E explosão da internet e das mídias sociais aproximou as pessoas, agora você pode entrar em um grupo específico e pedir algumas dicas de locais, fornecedores, profissionais, locações etc…

Mas não te dá mais a vara e te ensina a pescar… hoje a internet te dá o peixe, e o que me questiono é… até que ponto isso é bom? Afinal você não aprendeu a pescar, estas coisas não se ensinam desta forma.

A quantidade de palcos, tendas, passarelas e estruturas caindo aumentam dia a dia, empresas que simplesmente não aparecem nos eventos deixando os clientes na mão.

Quem nunca pediu um determinado produto que viu na internet e o que chegou não era nada daquilo que você precisava?  O que você faria? Ou o que você fez para salvar o evento?

Preocupa-me quando vejo um “Produtor” em um determinado grupo na internet pedindo seguranças para trabalhar em um evento durante 16 horas x três dias para ganhar cem reais/dia.

Não digo que o produtor da velha guarda saiba de tudo, mas com certeza já vivenciou muitas situações e não solicitaria um tipo de contratação como essa. 

Nem vou entrar no mérito do valor, mas que tipo de profissional você acha que receberia nestas condições?

É incrível que quando olhamos para trás, temos a certeza de que não sabemos de tudo, isso é impossível.

Mas sabemos o essencial que é… o que não devemos fazer, isso sim faz a diferença e salva um evento.


Por isso ser… Old is cool.



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