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Durante 05 anos, fui o responsável pelas operações do time de vôlei feminino do Finasa / Osasco, tudo fora da quadra era minha responsabilidade, inclusive cuidar da torcida.
Quem já teve contato com uma torcida organizada sabe que não é nada fácil manter as coisas calmas, ainda mais quando se trata de ir contra a vontade deles.
Certa vez numa semifinal da Superliga, num jogo em Belo Horizonte contra a
equipe do Minas, um excelente equipe, jogão com certeza, uma caravana estava programada para sair de São Paulo.
Chovia demais, uma daquelas chuvas que já duravam 72 horas, a Fernão Dias estava inundada desde a altura de Guarulhos, muitos acidentes e um clima de terror pairava no ar.
Os últimos relatos eram temerosos, muitos acidentes passavam na TV, e parecia que a situação das estradas só pioravam e a torcida pressionando para liberar os ônibus.

Eu já estava em BH desde o dia anterior, uma das minhas responsabilidades era checar e garantir o acesso do time e da torcida ao ginásio adversário, com a aquisição de ingressos e as providências de segurança, além de algumas ações de marketing em nossas agências.

Eu tinha os meus assistentes de produção que sempre acompanhavam a caravana, iam dentro dos ônibus para garantir que todos chegassem em segurança no destino, tanto na ida, quanto na volta dos jogos.
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Mas tinha uma pessoa especial, o meu “anjo de guarda”, era também o anjo de guarda dos torcedores nas viagens, esse cara era o Eduardo Washington, ou simplesmente o Dudu, cara sensacional, sensato e sempre calmo, além de muito inteligente, sabia avaliar uma situação, ele era os meus olhos na estrada.

Consultei-o para saber da sua opinião, ele sempre sincero me falou.
-Sorta (era assim que ele me chamava) os teus assistentes, os seguranças e até os motoristas dos ônibus estavam receosos em seguir viagem. Mas se você mandar agente segue viagem.

Eu então perguntei a ele e você Dudu, o que faria? ele ficou pensativo por uns segundos e me disse que não arriscaria. 

Pra mim foi o suficiente!
Decidi por abortar a viagem e não arriscar a vida de ninguém, mesmo com os protestos de parte da torcida.
Na semana seguinte, em nosso Ginásio em Osasco-SP, fui ovacionado pela torcida me mandando tomar naquele lugar, obviamente ainda muito raivosos por eu ter cancelado a caravana.
A decisão foi impopular, mas consciente. Nada justificaria arriscar tantas vidas na estrada por casa de um jogo.

Para eles seria um jogo, para mim a minha consciência!


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Dedico este texto ao meu grande amigo “Sorta” Dudu Paulino que hoje é meu anjo de guarda em outra dimensão.