Seu Santos meu pai e o Barney

Meu pai foi dono de um jornal lá no interior onde morávamos, a “Gazeta de  Junqueirópolis”, a crise e a ditadura da época o fizeram vender o jornal para tentar a vida em São Paulo.

Morávamos de favor com familiares em Santo André – SP, hoje imagino como isso deveria doer no seu íntimo, mas logo ele estava trabalhando em uma gráfica, ainda me lembro do cheiro de tinta e querosene com que ele chegava em casa.

Anos mais tarde ele já trabalhando em uma grande agência de publicidade a CBBA / PROPEG, apartamento próprio no bairro de Santana – SP, dois carros na garagem, sim ele havia vencido!

Ele sempre trabalhou muito para que nada nos faltasse, fazia freelas, estudou a noite se fez publicitário e um Produtor Gráfico de renome, criou três filhos, duas irmãs e eu, o do meio, escolhi seguir os seus passos e orgulhosamente ele me guiou e me ensinou tudo que sabia.

Conduziu-me por empresas de amigos, fornecedores e clientes, me mostrava todo o caminho e os obstáculos, nunca me aliviou, deixou levar tantos trotes quantos fossem necessários pra ver se eu aguentaria o tranco, se eu estava no caminho certo.

Deu-me alguns Jobs e mais tarde as posições se inverteram e o meu orgulho por ele se juntou ao orgulho dele por mim. Era um orgulho só; um pelo outro.

Quando resolvi mudar para a área de Eventos e ele orgulhoso não só me apoiou como sempre participava de algum evento meu, eu o ensinei a montar Paredes de Alpinismo, assim como ele me ensinou sobre fotoletras e fotocomposição, sobre papel e as artes gráficas.

Eu que já tivera a honra de trabalhar pra ele quando jovem em publicidade, tive a honra quando ele veio trabalhar comigo em eventos.

Hoje dia dos pais, fico aqui pensando quem na vida teve oportunidade como essa que eu tive? Acho que é uma história rara, foi um prazer e uma dádiva.

Agora a minha sobrinha chega pra ser a terceira geração de publicitários na família, fazendo eventos Universitários e assim como meu pai fez comigo, chamei-a para um job e ela se saiu magistralmente bem, e modéstia á parte, mostrou a que veio.


Como não amar essa história que começou lá em 1939 com meu pai Manoel, o “seu Santos”, que quatro anos atrás foi fazer um Job lá no andar de cima!

Como não amar uma história na vida de três gerações?

Te amo pai, Feliz Dia dos pais!