Chegamos a Paris por volta de 11:00, recepcionados pela Marcella e por hostes da Microsoft e um ônibus nos aguardava para o transfer até o hotel.

Para facilitar a vida de todos na produção, sempre pego o mesmo hotel onde será o evento, principalmente quando o Job é fora do país pois, desta forma ficamos full time ligados ao evento caso aconteça alguma eventualidade e para facilitar os transfers.

Enquanto todos foram descansar, nós da produção fomos fazer algumas visitas técnicas em locações onde teríamos ações, como o evento foi aprovado muito em cima da hora somente as produtoras locais visitaram os locais e desta forma eu as atualizaria com as últimas mudanças de roteiro layouts e aplicações.

Mas, a minha primeira missão era questão de segurança, comprar telefones celulares com chip local para todos os participantes, criamos um grupo e desta forma teríamos como contatar todos a qualquer hora.



E, como nem tudo é trabalho. Estávamos hospedados no Quartier de Grenelle, que seria algo como o “Bairro de Grenelle”, próximo a Torre Eiffel resolvi caminhar para me ambientar, eu tenho esta mania quando estou em terras estranhas, só me sinto a vontade quando sei exatamente a direção das coisas. E de lá pegaríamos o metrô para a Champs Elisee para comprar os celulares.

Porém, ao entrar no metrô um aviso nos alto falantes solicitavam a todos que abandonassem imediatamente a estação pois “ocorrera algum problema nos trilhos”.

Pensamos logo em terrorismo, impossível não pensar então resolvemos ir a pé mesmo até a Champs Elisee, afinal ela está a menos de 4 km de lá e andar por Paris é sempre lindo. Mesmo no Verão.

Compras feitas e antes de voltar ao hotel, fizemos uma breve parada na Torre Eiffel, pois na minha programação estava comprar tickets para que todos visitassem a Torre em dia e horário determinado, porém descobri que não estavam vendendo antecipações e que os tickets deveriam ser adquiridos somente no próprio dia da visita com uma ou duas horas de antecedência.



Isso quebra todo o meu planejamento, tentei argumentar, mas o que posso fazer? Uma vez na França, faça como os Franceses.

Merde!

Porém, achei um contrassenso já que para conseguir uma reserva no badalado restaurante Fouquets, tivemos que implorar 45 dias antes e pagar 30 dias antecipado, além de ser obrigado a escolher o que cada um iria comer, algo impensável aqui no Brasil, mas assim é na Europa.

Da mesma forma foi o procedimento para adquirir gift cards aos competidores, tudo foi feito antecipadamente inclusive com o pagamento. Quando cheguei a Paris os cartões já estavam com a nossa produtora.

Na Europa, assim como nos Estados Unidos, pode se pagar quase tudo com cartão de crédito, porém nesta viagem descobri que existe uma bandeira de cartão que é amplamente aceita sem problemas e a partir daí mudei radicalmente a bandeira dos meus cartões corporativos.

Ao final do dia, havíamos cumprido quase todo o meu planejamento de VT´s, e ainda estava claro, achei bem estranho e só quando chegamos ao hotel e vi no relógio que eram quase 22:00 o sol ainda estava alto, pleno verão europeu e todos queriam sair para jantar.

Só que não tinha quase nada mais aberto próximo ao hotel. Europeu dorme cedo, aprendi muito em uma tarde apenas no continente!

Andamos em direção a torre, afinal deveria ter algo aberto por lá, nossas produtoras pesquisavam incansavelmente por restaurantes e finalmente encontraram um.

Agora imaginem a cena!

Quarenta Brasileiros, falando alto excitados por estar na cidade luz entrando em um restaurante tradicional arrastando mesas e cadeiras para criar aquele nosso famoso mesão.



Os Franceses ficaram horrorizados, os clientes então, pareciam que estavam vendo Zumbis invadindo o local.

Muita negociação e fomos direcionados a uma área separada e exclusiva no subsolo do restaurante, longe das vistas dos clientes da casa.

Nesta noite aprendi que os Europeus amam os Brasileiros, mas não toleram os nossos modos, ou a falta deles.

Aprendi que chamar um garçom levantando a mão é uma heresia e não existe na culinária Francesa trocar algum elemento no pedido, tipo o bacon por um ovo, ou mudar a composição do prato, descobrimos isso quando os garçons se recusaram a nos atender e só trouxeram o que eles mesmo quiseram.

Foi muito aprendizado para um dia só! E vem mais por aí…
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