Fotos: Jacira Cavalcante e restaurante Icatarezinho
Caros amigos de eventos, existem alguns tipos de eventos que eu simplesmente não aceito produzir, são casamentos e festas de réveillon, e a explicação é simples.

São momentos únicos na vida das pessoas, os clientes são passionais demais e não aceitam bem mudanças no roteiro.

No ano de 2001 produzi um réveillon em Itacaré, para os convidados do Txai Resort, foi um desafio e tanto. Como os sócios do Resort não queria incomodar os hospedes que não quisessem participar da festa, procuramos por uma “cabana” para locar e fazer a festa.

Cerca de 1500m distante do Resort encontramos uma cabana que tinha quase toda estrutura para o evento, efetuamos a locação, contrato assinado e fui cuidar da produção para dar uma cara mais Txai e menos “Cabana” ao local inclusive no que dizia respeito a estrutura.
Por se tratar de uma cozinha internacional, toda preparação de alimentos e bebidas vieram do resort, e seus funcionários começaram a adaptar a estrutura de cozinha, trazendo novos fornos e acessórios como sousplats, talheres, guardanapos de tecido etc.

Os garçons foram todos do resort, o maitre aproveitou apenas “funcionários chave” da cabana para facilitar os serviços, toda a decoração estava ali a mão, folhas de coqueiros e palmeiras por todos os lados, uma canoa cheia de gelo recebeu as bebidas geladas e montamos um bar cenográfico do lado oposto com as bebidas quentes e bartenders.

Levei de São Paulo toda a infraestrutura de tenda cristal, sonorização, iluminação e projeção, pois para mim, numa ocasião como esta temos que reduzir a possibilidade de surpresas. O único item que loquei de Ilhéus-BA, foram os geradores, que deveriam chegar as 14:00, mas chegaram por volta de 19:00, aff! Descer com o gerador da estrada até a praia, por uma estrada de terra sinuosa e estreita foi outra obra de arte, eles tiveram que descer de ré pois não havia espaço para manobras perto da cabana, mais um exercício de logística e manobras que foram previamente combinados na VT feita a contragosto do geradorista, mas exigência minha.

Iniciamos a montagem da tenda as 09:00 da manhã o sol já estava a pleno vapor, após a tenda, o palco para o DJ e convidados, fiação, posicionamento de caixas etc… todos os detalhes iam tomando forma debaixo de muito sol, e vez ou outra eu era chamado para resolver alguns problemas como a diferença culturais entre os montadores vindos de São Paulo, os funcionários do Txai e os funcionários da cabana, era uma verdadeira Babel, parecia que ninguém falava a mesma língua, uma confusão de vozes e uma grande algazarra em que só eu tinha voz ativa pra botar “ordem no galinheiro”, mas sempre com educação e elegância senão nenhum dos lados cederiam.
No final de tarde com a chegada dos geradores ensaio geral, e quando vc pensa que tudo iria ficar bem uma discussão entre o operador de A&V e o DJ que era “amigo” do dono da festa, ele queria algumas modificações de última hora impossíveis de fazer como a mudança do Mainpower que segundo ele estava muito próximo da mesa, aquecendo as suas pernas?!?

What?

Resolvi a questão colocando um ventilador embaixo da mesa e dando uma bronca nos dois, era óbvio que era mera picuinha de ambos e que eu teria que administrar a noite toda, mas não à àquela altura do campeonato… digo da montagem, era o momento de finalizar e eliminar os detalhes que no fim de montagem se acumulam e como eu costumo dizer é a pior parte, zerar os detalhes.

Bem conseguimos por volta de 20:00 finalizar tudo, não sem antes passar um briefing geral de como as coisas deveriam funcionar, qual seria a função e o timming esperado de cada um, antes de finalizar a conversa ainda tive que dar uma dura na equipe de faxina que insistia em não fica em seus postos, já prevendo que seria uma tarefa ingrata determinei um assistente de produção pra ficar na caça deles a noite toda, limpeza é um item que pode derrubar uma festa, mantenha sempre seu evento limpo, as pessoas sempre se lembram de lixeiras transbordando ou copos no chão, mesmo que seja na areia.

Os convidados começaram a chegar pela praia, devidamente empulserados e a identificação ficou fácil pois eram fosforescentes, o som rolando iluminação especial de pista tudo estava correndo perfeitamente bem até que ao longe vimos as luzes da cidade se apagarem, não era um problema pois estávamos trabalhando com geradores e a festa corria à solta.
Problemas começaram a aparecer na guarita situada na estrada, pois como a cidade estava sem luz, as pessoas vendo ao longe a nossa iluminação e o som rolando começaram a se dirigir par atentar entrar no evento, deslocamento de seguranças para a portaria e lá fui eu conversar com os “penetras”. Expliquei que seria impossível a entrada deles pois o nosso evento além de ser fechado não estávamos preparados para receber convidados de última hora, seguranças posicionados e desci para cuidar do evento.

Pouco antes da meia noite, nova surpresa, as luzes começara a oscilar, corri até a house e me informaram que a culpa era do gerador, mais uma corrida até o gerador e fui informado pelo geradorista que ao abastecer o tanque com diesel a mangueira caiu no chão e areia havia entrado no tanque…Momentos de tensão, basta dizer que o geradorista passou a noite inteira bombeando para manter a pressão!?!


Achei bem estranha a desculpa, não sou expert em gerador, mas por vias de dúvidas desloquei outro assistente para ficar de olho nele e pedi que me avisasse se houvesse outra ocorrência.

O evento transcorreu sem mais novidades, queima de fogos a meia noite, assistente brigando com a brigada de limpeza, mediação entre o operador de house e o DJ, e assim o sol foi nascendo.

Para mim o momento mais importante foi quando um grupo de convidados e estavam indo embora se viraram para mim e fizeram uma reverência agradecendo a noite maravilhosa.

Respirei fundo e chamei a todos pelo rádio.
Parabéns á todo o staff e agora… bora desmontar!